Feito sem precedentes de Ohtani é mais importante que controvérsia em Jogo 7 da MLB World Series

Billy Heyen

小鷹理人 Masato Odaka

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No Jogo 7 da World Series, um dos assuntos mais comentados nos primeiros innings foi o tempo que Shohei Ohtani levava para se aquecer entre uma entrada e outra.

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O astro “two-way” do Los Angeles Dodgers, que atua como rebatedor e arremessador, precisou de alguns segundos extras em duas ocasiões ao voltar ao montinho logo após participar ofensivamente da partida.

Pelas regras, o árbitro tem autonomia para conceder esse tempo adicional — mas a transmissão da FOX insistia no tema, destacando isso a todo instante.

Olhando agora, é quase engraçado que tanta atenção tenha sido colocada nisso.

Uma cena inédita na MLB

Pense bem: um jogador abre o jogo como leadoff hitter, consegue uma rebatida logo na primeira entrada — e, no inning seguinte, sobe ao montinho como pitcher titular no Jogo 7 da World Series. Isso simplesmente nunca tinha acontecido.

E muito provavelmente jamais acontecerá com outro atleta que não seja Ohtani.

A cena histórica estava ali, diante dos nossos olhos.

Ohtani fez uma pós-temporada lendária, quebrando recordes ofensivos ao lado de nomes como Barry Bonds e Babe Ruth.

Foram oito home runs nos playoffs — empatado como o segundo maior número da história — e 19 chegadas em base na World Series, também marca de vice-liderança histórica.

No Game 3, ele entregou uma atuação para colocar em quadro na parede: na épica batalha de 18 entradas vencida pelos Dodgers, Ohtani registrou dois home runs, duas rebatidas duplas e cinco walks — sendo quatro intencionais.

E no dia seguinte, lá estava ele arremessando no Game 4.

“Comum”? Só para Ohtani

O tamanho de Ohtani distorce a régua. Ele faz coisas tão absurdas com tanta naturalidade que, em algum momento, muita gente começou a tratar isso como rotina.

Um leadoff batter que também é o pitcher titular do Jogo 7 da World Series? Em qualquer outra era, isso seria impensável.

Naquela noite, mesmo que sua atuação no montinho não tivesse sido perfeita, o simples fato de ele estar ali já era monumental.

No título do ano passado, ele nem pôde arremessar — ainda se recuperava da cirurgia no cotovelo. Por isso, esta oportunidade tinha um peso diferente: era o retorno pleno do maior fenômeno do beisebol moderno ao maior palco do esporte.

Se existe alguém que merece que as regras sejam um pouquinho mais flexíveis de vez em quando, esse alguém é Shohei Ohtani. Coincidência ou não, o jogo aconteceu justamente no dia em que o horário de verão terminou nos EUA — os relógios voltaram uma hora.

Tempo, portanto, não faltava.

Então, deixe Ohtani fazer do jeito dele. Porque atletas assim, muito provavelmente, nós nunca mais veremos.

News Correspondent

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