São Paulo: Casares vai renunciar à presidência? Entenda situação do Tricolor

Karoline Tavares

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O presidente do São Paulo, Julio Casares, pode renunciar ao cargo em breve. Isso porque duas das principais torcidas organizadas do clube, Independente e Dragões da Real, emitiram notas após depósitos irregulares nas contas pessoais de Casares.

Os valores, que giram em torno de R$ 1,5 milhão, teriam sido creditados entre janeiro de 2023 e maio de 2025, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtidos pelo UOL. Segundo o levantamento, essa quantia representou a principal fonte de renda de Casares no período analisado.

A defesa do presidente afirma que os recursos têm origem "lícita e legítima" e garante que todas as movimentações possuem compatibilidade financeira.

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Detalhes da investigação sobre Julio Casares

De acordo com os relatórios, os depósitos foram feitos em valores baixos e fracionados, com registros de até 12 operações no mesmo dia, que juntas somaram R$ 49 mil. O limite para notificação automática ao Coaf é de R$ 50 mil.

Esse tipo de prática se enquadra no que o Coaf classifica como "smurfing", técnica utilizada para dividir valores maiores em pequenas transações, com o objetivo de driblar mecanismos de controle e fiscalização financeira.

Casares justificou os depósitos como pagamentos referentes a bonificações por conquistas do São Paulo. Ainda assim, em 2023, o banco responsável pelas contas emitiu um alerta ao Coaf por considerar as movimentações fora do padrão.

Casares vai renunciar ao cargo?

Segundo apuração do UOL, Julio Casares deve se reunir nesta terça, às 16h, com o Conselho Consultivo do clube, composto por ex-presidentes do Tricolor.

Na pauta da reunião estão a possibilidade de renúncia de Casares e o avanço do pedido de impeachment. O Conselho Deliberativo recebeu a solicitação em dezembro, e o processo ainda pode ser submetido à votação dos conselheiros.

Ainda não há definição sobre qual será a postura do presidente diante da chance de renunciar.

De acordo com a Rádio Itatiaia, a defesa do dirigente pretende apresentar, ao longo das investigações, documentos, declarações e informações fiscais que comprovem sua inocência.

Ex-esposa de Casares também é alvo

Mara Casares

Mara Casares/Divulgação

A investigação também aponta que a conta do presidente teria sido utilizada para custear despesas da ex-mulher, Mara Casares. Ela ocupava os cargos de diretora feminina, cultural e de eventos do clube, além de ser conselheira.

Mara se afastou das funções após a revelação de um esquema de exploração clandestina de um camarote no Morumbis, caso que envolveu seu nome e o de Douglas Schwartzmann.

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Organizadas do São Paulo se manifestam

A Torcida Independente e a Dragões da Real publicaram notas oficiais após a denúncia vir à tona na manhã desta terça-feira (6).

A Independente afirma que aguardou o avanço do inquérito policial e judicial antes de se posicionar sobre as denúncias envolvendo a gestão de Julio Casares, destacando que não queria agir com base em achismos ou sem provas. Com o surgimento de evidências, o grupo diz se sentir traído pela postura do presidente, que se apresentava como "presidente da arquibancada".

Já a Dragões da Real afirma que as novas denúncias que surgiram precisam ser investigadas com rigor, independência e transparência. Caso irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis devem ser punidos de forma exemplar nas esferas esportiva e criminal, destacando que o São Paulo não pode tolerar práticas ilícitas.

Saques nas contas do clube sob investigação

Além do caso envolvendo o presidente, a Polícia Civil investiga 35 saques em dinheiro realizados nas contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025. Ao todo, as retiradas somam R$ 11 milhões.

Os relatórios do Coaf não indicam o destino dos valores sacados das contas jurídicas do clube. Em 2021, foram R$ 1,5 milhão retirados em sete operações, seguidos por R$ 1,2 milhão em seis saques em 2022. Em 2023, o montante chegou a R$ 1,4 milhão, também em seis operações. Já em 2024, houve o maior volume: 11 saques que totalizaram R$ 5,2 milhões. Em 2025, mais R$ 1,7 milhão foi retirado em cinco operações.

As primeiras retiradas, em 2021, foram feitas por um funcionário do São Paulo. Depois, o clube passou a utilizar uma empresa de transporte de valores para realizar os saques em dinheiro.

Para os investigadores, essa mudança pode indicar uma tentativa de dificultar a identificação de quem teve acesso final aos recursos.

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