Ibrachina: de onde é o time, história e quem é o dono do clube

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Ibrachina/Divulgação

O empate por 2 a 2 no tempo normal e a vitória por 5 a 4 nos pênaltis sobre o Palmeiras, nas quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026, não representam apenas uma classificação histórica para o Ibrachina. O resultado simboliza a consolidação de um projeto jovem, ambicioso e cada vez mais respeitado no futebol de base brasileiro.

Em poucos anos de existência, o clube da Mooca, bairro da Zona Leste de São Paulo, deixou de ser visto como uma novidade para se firmar como uma potência formadora, capaz de derrubar gigantes tradicionais e alcançar, pela primeira vez, a semifinal da principal competição de base do país.

Ibrachina: fundação e história

Fundado em 16 de setembro de 2020, o Ibrachina Futebol Clube nasceu como um braço esportivo do Instituto Sociocultural Brasil-China, criado dois anos antes com o objetivo de promover a integração cultural, educacional e econômica entre o Brasil, a China e países de língua portuguesa. Sob a liderança dos irmãos Henrique e Thomas Law, empresários sino-brasileiros com forte atuação no comércio popular de São Paulo, o projeto foi concebido para ir além do futebol, utilizando o esporte como ferramenta de formação humana, intercâmbio cultural e desenvolvimento social.

Filhos de Law Kin Chong e Miriam Law, responsáveis por um conglomerado de shoppings populares nas regiões da 25 de Março e do Brás, Henrique e Thomas trouxeram para o futebol uma mentalidade empresarial focada em estrutura, planejamento e investimento de longo prazo. Desde o início, a ideia não foi criar um clube tradicional com torcida massiva, mas sim um centro de excelência na formação de atletas, alinhado a padrões internacionais e com forte identidade institucional.

Nos primeiros anos, o Ibrachina atuou exclusivamente nas categorias de base, disputando torneios alternativos e competições organizadas por ligas independentes. Em junho de 2021, veio a filiação à Federação Paulista de Futebol, passo fundamental para a entrada oficial no calendário estadual. Pouco tempo depois, o clube estreou no Campeonato Paulista Sub-20, ainda de forma modesta, mas já chamando atenção pela organização e pela proposta de jogo.

O divisor de águas aconteceu com a participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em 2022, jogando como time-sede na recém-inaugurada Ibrachina Arena, o clube venceu todos os jogos da fase de grupos com 100% de aproveitamento, eliminando equipes tradicionais e despertando curiosidade nacional. Apesar da eliminação precoce no mata-mata, nos pênaltis, aquela campanha colocou o nome Ibrachina no mapa do futebol de base brasileiro.

Desde então, o crescimento foi constante. O clube ampliou suas categorias, investiu em escolinhas, firmou parcerias nacionais e internacionais — incluindo colaboração com o Orlando City, da Major League Soccer — e estruturou um projeto social voltado a jovens da Vila Carioca e de Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo. A base do Ibrachina passou a ser vista como um celeiro de talentos, com metodologia própria, foco no desenvolvimento técnico e suporte educacional.

A Copinha de 2026 representa o ponto mais alto dessa trajetória. Após liderar seu grupo com autoridade, o Ibrachina iniciou o mata-mata derrubando gigantes. Eliminou o Atlético-MG, passou pelo Internacional e, nas quartas de final, protagonizou uma das maiores surpresas da história recente do torneio ao segurar o Palmeiras – até então invicto e dono do melhor ataque da competição – no tempo normal e vencer nos pênaltis, diante de uma arena lotada.

O feito ganha ainda mais peso pelo contexto. Do outro lado estava um dos clubes mais vitoriosos da base brasileira, com estrutura consolidada e elenco badalado. O Ibrachina, por sua vez, entrou em campo representando um projeto jovem, sem tradição histórica, mas com identidade clara, organização tática e mentalidade competitiva. A classificação à semifinal, inédita, coroou anos de investimento silencioso e trabalho contínuo.

Mandando seus jogos na Ibrachina Arena, um complexo poliesportivo de 12 mil metros quadrados localizado na Mooca e homologado pela FIFA, o clube construiu uma relação simbólica com o bairro tradicional da Zona Leste paulistana. Apelidados de Dragões da Mooca, os jogadores carregam um escudo que mistura elementos orientais e brasileiros, reforçado pelo mascote Dragol, presença constante nos jogos e ações com o público infantil.

Mais do que um resultado esportivo, a campanha na Copinha 2026 reforça o Ibrachina como um novo modelo de clube-formador no Brasil: privado, estruturado, com forte investimento em base e sem a pressão imediata por resultados no futebol profissional. A semifinal alcançada contra todos os prognósticos não é um ponto final, mas mais um capítulo de uma história curta em tempo, porém intensa em significado.

Ao eliminar clubes centenários e alcançar o estágio mais avançado de sua trajetória na Copinha, o Ibrachina confirma que seu crescimento não é obra do acaso. É fruto de planejamento, investimento e de uma visão que entende o futebol como ponte entre culturas, oportunidades e futuros possíveis.

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Contributing Writer