A Alemanha estuda a possibilidade de não disputar a próxima Copa do Mundo, marcada para junho e julho, com os Estados Unidos como uma das sedes. O debate ganhou força com a população alemã após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a ameaçar a anexação da Groenlândia e a adoção de tarifas comerciais contra países europeus. A informação foi publicada inicialmente pela agência "AFP".
O governo alemão afirmou que não irá interferir diretamente no tema e que a decisão cabe exclusivamente à Federação Alemã de Futebol (DFB) e à Fifa. Segundo a secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, o país respeita a autonomia do esporte e seguirá a avaliação feita pelas entidades responsáveis.
– As decisões relativas à participação ou ao boicote a grandes eventos esportivos competem exclusivamente às federações responsáveis – afirmou Schenderlein, em declaração enviada à "AFP".
Apesar da postura oficial de cautela, o assunto avançou no meio político. Parlamentares alemães passaram a defender publicamente a hipótese de boicote como resposta às ameaças feitas por Trump. Para esses políticos, um agravamento das tensões diplomáticas tornaria difícil a participação europeia em um torneio organizado majoritariamente em território norte-americano.
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População da Alemanha aprova seleção fora da Copa do Mundo?
A discussão também chegou à opinião pública. De acordo com pesquisa do instituto "Insa" para o jornal alemão "Bild" realizada na quinta-feira e sexta-feira com 1.000 pessoas, quase metade dos escutados (47%) aprovaria um boicote à Copa em caso de anexação efetiva da Groenlândia pelos EUA.
Quatro vezes campeã do mundo, a seleção alemã não fica fora de uma Copa desde 1950. Ainda assim, o atual cenário internacional coloca em debate uma tradição histórica do futebol do país.
O tema ganha ainda mais repercussão pela proximidade de Donald Trump com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o que aumenta as críticas e a pressão política em torno do torneio.
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